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Bauru

Faculdade de Medicina de Bauru entra em greve

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Faculdade de Medicina de Bauru entra em greve

Devido a uma série de ocorridos durante a semana, os estudantes deliberaram e optaram pela greve

Estudantes de Medicina do 1º ao 6º ano da FMBRU-USP realizaram, no dia 21 de setembro de 2026, uma mobilização para apresentar uma pauta unificada em defesa da qualidade da formação médica, dos direitos discentes e da participação estudantil. Entre as reivindicações está a melhoria do diálogo, dos estudantes que vivenciam diariamente a formação médica e a estrutura acadêmica do curso, com a diretoria/instituição.
A graduação é essencial tanto para a formação de médicos qualificados quanto para o atendimento à população, já que os estudantes participam da rotina dos serviços e contribuem para a assistência, especialmente o internato, etapa prática que corresponde aos dois últimos anos da graduação em Medicina.
Para isso, os estudantes defendem maior transparência nas decisões da graduação, participação efetiva nos espaços institucionais, interlocução respeitosa, direito ao contraditório, e criação de um canal permanente de diálogo, com retorno e acompanhamento das demandas.
Os estudantes também reivindicam uma melhor organização da preceptoria, ou seja, do acompanhamento realizado pelos médicos e demais profissionais dos serviços que orientam os alunos durante a prática, além da ampliação dos campos de estágio em Bauru. Para os estudantes, uma universidade pública como a USP tem também um papel importante no desenvolvimento da saúde, sendo uma instituição que tem como principais objetivos a produção científica e apoio ao sistema de saúde da cidade em que está inserida.
Por isso, a reivindicação é por uma maior integração entre a faculdade e a rede de saúde pública de Bauru,ampliando os espaços em que os alunos possam aprender e, ao mesmo tempo, contribuir para a qualificação dos serviços oferecidos à população.
A mobilização ocorreu após tentativas anteriores de diálogo e buscou abrir uma nova etapa de construção e vínculo entre estudantes e instituição.
A mobilização foi previamente comunicada e organizada de forma a garantir a continuidade dos serviços de saúde, sem prejuízo a pacientes ou à assistência. Nosso objetivo é reivindicar melhorias no ensino, mantendo o compromisso com a população e com o SUS. O movimento ressalta que suas reivindicações não são direcionadas individualmente a docentes, servidores ou preceptores, mas à construção de mecanismos institucionais mais efetivos para discutir e solucionar problemas da graduação. Além disso, ressalta-se que não apresenta cunho político-partidário e se refere a problemas internos da faculdade. Após a passeata do dia 21 de setembro, a Direção da FMBRU convidou alguns representantes discentes para uma reunião na superintendência do Hospitalde Anomalias Craniofaciais - HRAC. Pensando em respeitar o espaço historicamente dedicado à graduação de Medicina no campus, os estudantes solicitaram, por e-mail, a realização da reunião na Tutoria, solicitação essa que não foi sequer respondida. Ao comparecem no horário e local solicitado, a "diretoria" se recusou a se fazer presente em outro local distinto àquele estabelecido por eles. Após discussão, os discentes decidiram por ir até a Superintendência. Ao chegar à sala de reuniões, foi detectado que o Diretor pro tempore José Sebastião, e a Presidente da Comissão de Graduação (CG), Alessandra Mazzo, figuras centrais na discussão das demandas dos estudantes, não se encontravam presentes. O diretor não se fez presente por estar em atividade na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, sua Unidade de origem; quanto à presidente da CG, não souberam explicar sua ausência.
Esse episódio gerou descontentamento entre os alunos, que interpretaram a ausência dos dirigentes da instituição como um descaso e falta de compromisso com o movimento estudantil, que traz pautas urgentes e pertinentes, essas que vêm sendo sistematicamente silenciadas. Para além, após os discentes encerrarem a reunião, enquanto saíam a presidente da Comissão de Graduação passou pelos alunos andando, evidenciando que ela estava no campus e que apenas escolheu não se fazer presente.
Frente a essa postura, o sentimento que se soma aos estudantes é a frustração, o desrespeito e mais uma vez a invalidação. A expectativa de uma mesa de negociação foi frustrada por uma roda de docentes e servidores dispostos a conversar, mas de maneira pouco resolutiva.
Foi realizada, portanto, uma Assembleia Geral Extraordinária, na qual foram discutidas as possibilidades e os próximos passos a serem tomados, tendo em vista os acontecimentos dos dois últimos dias. Após grande deliberação, o corpo discente decidiu, com 85,4% dos 226 votos, por implementar a greve do 1º ao 4º ano de graduação.
Desta maneira, declaramos que os alunos do curso de medicina da Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU-USP) estão em greve. O corpo estudantil deseja ser escutado, e lutaremos incessantemente para isso! Seguem as reivindicações: Diálogo, transparência e participação estudantil
● Garantia de escuta ativa, diálogo respeitoso, transparência e liberdade de expressão para todo o corpo discente.
● Criação de um canal direto e eficiente de comunicação (paralelo aos colegiados) para a resolução de demandas imediatas, a exemplo do alinhamento quanto às orientações do ENAMED, com o devido reconhecimento e correção dos problemas ocorridos em 2026.
● Participação efetiva dos estudantes no planejamento da formação médica, incluindo a obrigatoriedade de representantes discentes na comissãoorganizadora dos próximos Workshops de Desenvolvimento e Aprimoramento Curricular.
● Antecipação do processo eleitoral para a Diretoria da Faculdade de Medicina de Bauru, de modo a possibilitar a escolha democrática de uma nova gestão por docentes da própria Faculdade. A proposta parte da compreensão de que a atual conjuntura exige o fortalecimento dos canais de diálogo e de representação dentro da Faculdade. Internato, estágios e capacitação prática
● Resolução das demandas relacionadas à inserção nos serviços de saúde e à formação prática do internato, como maior presença em campos de estágio em Bauru.
● Reestruturação do internato com participação direta dos internos, garantindo qualificação contínua dos preceptores e padronização das competências abordadas nas atividades teórico-práticas.
● Inclusão de capacitações, como o ACLS, para o 6º ano. Infraestrutura e espaço estudantil
● Ampliação do funcionamento da tutoria como espaço de estudo e vivência estudantil. Assistência e logística estudantil
● Garantia de transporte adequado e apoio institucional em alimentação para estágios fora da cidade. Não retaliação
● Garantia de que nenhum estudante seja penalizado acadêmica, administrativa ou disciplinarmente pela participação na paralisação de 21 de setembro de 2026 ou pela greve.
● Abono retroativo e irrestrito das faltas decorrentes da paralisação e da greve, não havendo prejuízo acadêmico aos estudantes.
Atenciosamente,
Comissão de Organização da Greve
Bauru, 23 de setembro de 2026
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