PIRAJUÍ/SP — O mandato da deputada estadual Monica Seixas (Movimento Pretas – 50900) protocolou um ofício cobrando informações e providências imediatas da Prefeitura de Pirajuí a respeito das condições do transporte de pacientes oferecido a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A medida decorre de denúncias encaminhadas ao parlamento paulista que relatam situações de superlotação, viagens em pé e acomodação inadequada nos veículos da rede municipal que realizam o trajeto até a Clínica Sorri, polo de atendimento especializado no município vizinho de Bauru.
O documento oficial (Ofício nº 0091/2026) detalha que os pacientes estariam enfrentando deslocamentos diários em ambulâncias e frotas da saúde sob condições incompatíveis com suas necessidades clínicas. Diante do quadro apresentado, o mandato parlamentar estabeleceu uma série de questionamentos formais à administração pirajuiense, exigindo esclarecimentos sobre o total exato de crianças atendidas, a frequência semanal das viagens, os tipos de veículos empregados e a média de usuários por trajeto.
O gabinete também questionou se os pacientes que realizam terapias contínuas compartilham o mesmo espaço com usuários de consultas gerais e exames eletivos, além de cobrar dados sobre o número de médicos neuropediatras em atividade no SUS local e o tamanho da fila de espera reprimida por terapias multidisciplinares. Além da fiscalização, a deputada declarou abertura institucional para dialogar e articular recursos estaduais voltados ao fortalecimento da rede municipal, incluindo suporte à Santa Casa e ampliação da frota de transporte da saúde.
A situação trazida à tona pelo requerimento parlamentar evidencia um desafio recorrente na administração pública do interior de São Paulo: a dependência de centros regionais de referência somada à carência de uma infraestrutura adequada de transporte. No caso de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o deslocamento até o local do atendimento ultrapassa a questão logística. Fatores como superlotação, longos percursos e excesso de ruídos representam intensos fatores de estresse, podendo desencadear crises de desregulação sensorial antes mesmo do início do atendimento terapêutico.Assim, quando o meio de transporte oferecido pela rede de saúde passa a gerar desgaste psicológico e físico, violam-se diretamente a garantia constitucional à saúde e o princípio da proteção integral à infância. Diante disso, é fundamental que a gestão municipal traga transparência aos indicadores solicitados, demonstrando se o trajeto oferecido às famílias atípicas da região tem atuado como parte do processo de cuidado ou como mais uma barreira no acesso à assistência.








