Com a transição de setores estratégicos marcada para a próxima segunda-feira (3), trabalhadores denunciam a falta de transparência da Prefeitura e relatam um cenário de incerteza profissional.Segundo representantes da categoria, dos 180 servidores afetados pela mudança, 49 ainda não têm definição sobre onde ou como irão atuar.
A ausência de respostas concretas sobre a manutenção de benefícios, plano de carreira e realocação tem gerado queixas de assédio moral e esgotamento psicológico entre os funcionários concursados, com relatos de profissionais recorrendo ao suporte de medicamentos. O Sindicato rebate o discurso oficial da Prefeitura, que garante a manutenção dos postos de trabalho e afirma que o serviço não sofrerá alterações para o consumidor, apontando que a realidade interna é de improviso.
O modelo de fatiamento da autarquia também é alvo de críticas operacionais e financeiras. A partir do dia 3 de agosto, a CSB assumirá os setores comerciais, ficando responsável pela cobrança e faturamento. O DAE, por sua vez, manterá a captação e distribuição de água, a etapa mais onerosa da operação. Servidores e especialistas alertam que a entrega da parte rentável à iniciativa privada e a manutenção dos custos com o poder público gera um desequilíbrio estrutural, além de terceirizar a resolução de problemas com as contas. O temor é que esse modelo resulte na precarização do atendimento e que a conta final recaia sobre o bolso da população.
Em resposta às indefinições, os servidores realizaram uma manifestação cobrando à Prefeitura de Bauru na última sexta-feira (31). Sob o lema "Nenhum servidor para trás", o grupo cobrou diálogo e exigiu clareza do Executivo municipal. O movimento adverte que o sucateamento da mão de obra pública impactará diretamente a qualidade do saneamento no município a longo prazo.
Diante desse cenário, os trabalhadores fazem um alerta e um apelo direto aos moradores de Bauru: a mobilização não é apenas por direitos trabalhistas, mas pela defesa da água como um direito de todos, e não como mercadoria. Com o risco iminente de queda na qualidade do serviço e impactos diretos no bolso do consumidor, a categoria convoca a população a se unir à causa e cobrar total transparência da Prefeitura. O sucateamento de hoje será o mau serviço de amanhã, e o futuro do saneamento básico na cidade agora depende da união e da fiscalização de toda a sociedade.
Redação: G. Demetrius





