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Política

ATO POLÍTICO DAS PRETAS REUNIU 600 PESSOAS EM SÃO PAULO

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ATO POLÍTICO DAS PRETAS REUNIU 600 PESSOAS EM SÃO PAULO

Encontro realizado no último sábado, (12), marcou o lançamento da candidatura coletiva das Pretas à reeleição para a ALESP; movimento reúne seis mulheres negras e leva às urnas uma agenda de direitos, justiça social e transformação popular

Cerca de 600 pessoas participaram, no último sábado (12), na capital paulista, do ato político de lançamento da candidatura coletiva das Pretas - 50900, que disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), tendo a deputada estadual Monica Seixas como porta-voz e representante da candidatura na urna eletrônica.
“Esse ato nunca foi só pra nos apresentar, mas também porque temos um grande desafio no estado de São Paulo. Durante os nossos primeiros meses na Assembleia Legislativa, enquanto a gente reprotocolou o projeto SP Solo preto e indígena, Tarcísio e Derrite matavam nas favelas e periferias. Eu nunca vou me esquecer de quando eu precisei socorrer mães que precisavam reconhecer o cadáver de seus filhos. A polícia militar de São Paulo matou crianças e essa violência brutal se espalhou por todas as periferias do estado”, declarou Mônica.
Ao longo do ato, foram destacadas pautas que fazem parte da atuação do coletivo, como o direito à vida e à liberdade do povo negro e das mulheres, a luta dos trabalhadores e pelo fim da escala 6x1, a justiça climática e o ecossocialismo, além da defesa dos direitos da população LGBT+, de refugiados e dos povos originários.
Entre as palavras de ordem do movimento está “São Paulo é solo preto e indígena”, que faz referência ao nome do projeto-movimento político e cultural que luta pela memória, reparação histórica e justiça racial na cidade de São Paulo, criado pelas Pretas. A expressão sintetiza a defesa de uma política construída a partir da história, da resistência e das demandas das populações negras e indígenas do estado.
A mobilização também ressaltou a dimensão popular da candidatura. As Pretas defendem a ocupação do Parlamento e a transformação da Alesp em um espaço permanente de escuta e atuação junto à população. Nesse sentido, o mandato coletivo busca levar para dentro das instituições as lutas construídas nas ruas, nas periferias, nos movimentos sociais e nos territórios.
A candidatura é formada por seis mulheres negras de diferentes regiões de São Paulo. Monica Seixas (Monica Cristina Seixas Bonfim) é a porta-voz oficial e o nome que aparece nominalmente na urna eletrônica. Ao lado dela estão Ana Laura Oliveira, educadora popular da Rede Emancipa; Letícia Chagas, advogada graduada pela Faculdade de Direito da USP; Thayssa Gomes, ativista feminista e militante do movimento estudantil na região do ABC Paulista; Poliana Nascimento, educadora e ativista do litoral sul de SP; e Rose Soares, quilombola, também ativista e integrante do movimento.
A proposta do mandato coletivo parte da compreensão de que a representação política pode ser construída de forma compartilhada. A presença de seis mulheres negras na composição da candidatura e dentro da ALESP busca reafirmar a ocupação dos espaços de poder por quem historicamente teve sua voz afastada das instituições.
Vale destacar que Mônica Seixas, consolidou-se como uma das parlamentares mais atuantes da Casa, referida pelo alto índice de propostas ativas e relevante. Entre suas principais iniciativas legislativas estão o PL 1.697/2023, que garante acolhimento e espaço separado nas maternidades para mães que enfrentam a perda gestacional ou neonatal; os PLs 1.228/2025 e 1.229/2025, voltados ao combate ao racismo institucional por meio do Protocolo Antirracista e do Selo Empresa Antirracista; e os PLs 1.035/2025, 771/2026 e 769/2026, que tratam de segurança hídrica, prevenção e responsabilização diante de desastres e eventos climáticos extremos. As propostas refletem uma atuação voltada à proteção de direitos, ao combate às desigualdades raciais e à construção de políticas públicas de cuidado, prevenção e justiça social.
Com a candidatura As Pretas 50900, essa agenda chega novamente às urnas representada por Monica Seixas. Para o movimento, a disputa eleitoral é parte de uma luta mais ampla pela presença do povo negro e das mulheres nos espaços de decisão e pela construção de uma política que tenha como ponto de partida a organização e a participação popular.
O ato de sábado, marcado pela presença de centenas de pessoas, apresentou essa mobilização como expressão de uma luta que ultrapassa os limites do Parlamento: uma construção coletiva que busca fazer das instituições políticas um espaço de disputa, escuta e representação das demandas que emergem dos territórios e dos movimentos populares, bem como a possibilidade da construção radical e pela via e democrática, de um futuro mais digno para quem está na base da existência.
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